A páscoa está aí, e os seus coelhos recortados e pendurados nas paredes e tetos, também! Ou o porquê de esvaziamento dos momentos importante.

Como chegamos até aqui?

Transformamos todas as celebrações, todos os momentos que podem ter tido algum significado nas vidas das pessoas a quem prestamos cuidados, em mais uma atividade sem nexo, sem objetivo, mas, por termos feito qualquer coisa podemos pôr o V no quadradinho referente às atividades realizadas. E, melhor ainda se os coelhos tiverem sido feitos por um imenso grupo! Porque, nestas coisas, quantos mais melhor!

Perdoem-me as palavras mais duras, mas, confesso-me cansada. Este artigo é um desabafo.

Alienação ocupacional

Não há meio de sairmos deste vazio? Não haverá forma de substituirmos estas “atividades” sem propósito, sem sentido e sem pés nem cabeça, por algo que diga, de facto, algo às pessoas que nelas participam?

Tudo isto que fazemos às pessoas, com a melhor das boas vontades, eu sei, mas tudo isto, desde, halloweens, coroas na cabeça em dia de reis, enfeites de Natal que são esquecidos de um ano para outro num qualquer vidro deprimido, dias do pijama ( alguém sabe o porquê da sua existência?)……tudo isto tem um nome : Alienação ocupacional!

E o que é alienação ocupacional ? Uma pessoa que está em alienação ocupacional, experiencia um  isolamento prolongado, desconexão, sensação de falta de sentido e vazio que resulta da falta de  oportunidades para experimentar enriquecimento através das ocupações. O que ganhamos ao cortar e colar coelhos que uma menina com idade para ser nossa filha ou neta, nos pediu? O que representam os coelhos na Páscoa para alguém com 80 anos, católico e que vive com uma demência? 

A propósito do vazio…. será esta a era do vazio para as pessoas que vivem com demência em insituições?

Mesmo que na próxima celebração não consigam ( ainda) fazer propostas diferentes, pelo menos questionem-se: O que ganhamos em fazer isto? Vou propor isto porque faz sentido, ou estou só a cumprir calendário?

E se estiverem só a cumprir calendário, não ofereçam nem proponham fazer nada, a não ser a vossa companhia e estejam em relação e deem-se.